A pergunta tem uma resposta honesta e uma resposta útil.
A honesta: ninguém pode responder por você. Taxa de conversão é individual, muda por produto, por origem de contato e por experiência.
A útil: você pode descobrir a sua em noventa dias, e a partir daí para de trabalhar no escuro.
Sem esse número, tudo o mais é chute. Você não sabe se um mês ruim foi falta de esforço ou falta de sorte, não sabe quanto prospectar para bater a meta e não sabe qual etapa está travando o resultado.
Com ele, o mês seguinte deixa de ser surpresa.
O funil de vida tem seis etapas, não quatro
A maior parte do material sobre funil de vendas descreve quatro etapas: contato, reunião, proposta, fechamento.
Em seguro de vida, isso está incompleto — e o pedaço que falta é justamente onde o dinheiro escapa.
| # | Etapa | O que significa |
|---|---|---|
| 1 | Contato | Você tentou falar com a pessoa |
| 2 | Conversa | Ela atendeu e houve interação |
| 3 | Reunião de descoberta | Encontro marcado e realizado |
| 4 | Apresentação de solução | Você levou a proposta técnica |
| 5 | Aceite | O cliente disse sim |
| 6 | Apólice emitida | A apólice existe e o prêmio entrou |
Se você trabalha em sistema de agência de carreira, com etapas nomeadas, o mapeamento é direto. A abordagem telefônica cobre 1 e 2, a entrevista inicial é a 3, a apresentação de solução é a 4 e o fechamento é a 5.
Este texto integra o manual de prospecção de seguro de vida, do mapeamento de mercado ao primeiro contato.
A etapa que quase ninguém mede
Aceite não é apólice.
Entre o "sim" do cliente e a apólice emitida existe uma esteira: direcionamento, pendência de pagamento, pendência de documentação, análise de risco e emissão.
Cada uma dessas pendências é um ponto de perda. Proposta que trava na documentação por três semanas esfria. Proposta que volta da análise de risco com agravo ou recusa precisa de nova conversa. Pagamento que não entra derruba tudo.
Meça essa etapa separadamente. Duas informações bastam:
A taxa de emissão. Quantas propostas aceitas viraram apólice emitida.
O tempo de ciclo. Quantos dias, em média, entre o aceite e a emissão.
Um corretor com boa conversão comercial e taxa de emissão ruim tem um problema diferente do de quem não consegue marcar reunião. E os dois parecem iguais quando só se olha o resultado final.
Como descobrir as suas taxas em noventa dias
Não estime. Meça.
O que registrar, a partir de hoje
Para cada pessoa que entra no funil, cinco campos:
Nome.
Origem. Indicação, lista própria, evento, rede social, contato frio. É o campo que mais gente esquece e o que mais ensina.
Data de entrada.
Etapa atual, das seis.
Data da última mudança de etapa.
Nada além disso. Um controle com quinze campos não é preenchido, e controle não preenchido não produz taxa.
O que fazer ao fim de noventa dias
Conte quantos entraram em cada etapa e divida pela etapa anterior. Cinco divisões:
| Taxa | Cálculo |
|---|---|
| Taxa de conversa | conversas ÷ contatos |
| Taxa de agendamento | reuniões ÷ conversas |
| Taxa de apresentação | apresentações ÷ reuniões |
| Taxa de aceite | aceites ÷ apresentações |
| Taxa de emissão | emitidas ÷ aceites |
Multiplique as cinco. O resultado é a proporção de contatos que vira apólice. O inverso desse número é quantos contatos você precisa por apólice emitida.
Um exemplo completo
Números ilustrativos, para demonstrar o mecanismo. Refaça com os seus.
| Etapa | Quantidade | Taxa |
|---|---|---|
| Contatos | 500 | — |
| Conversas | 250 | 50% |
| Reuniões realizadas | 100 | 40% |
| Apresentações | 60 | 60% |
| Aceites | 18 | 30% |
| Apólices emitidas | 15 | 83% |
Conversão total no exemplo acima: 15 em 500, ou 3%.
São 33 contatos por apólice emitida.
Repare no que a última linha revela. Três aceites não viraram apólice — no exemplo acima, 17% da produção fechada evaporou na esteira. Quem para de medir no aceite acredita que fez 18 e recebe comissão de 15.
Por que a emissão ainda não é receita definitiva
A última etapa do funil é a apólice emitida. O que transforma apólice emitida em dinheiro recebido tem uma condição administrativa que a norma torna explícita:
Art. 21. Não serão devidas comissões, inclusive em caso de ajustamento de prêmio:
I - aos corretores de seguros, pessoas naturais ou jurídicas, com registro suspenso ou cancelado;
III - quando da devolução do prêmio ou de cancelamento da apólice de seguro [...]
Parágrafo único. [...] o corretor de seguros deverá restituir a comissão recebida à sociedade seguradora, proporcionalmente ao valor devolvido ou não recebido pela sociedade seguradora.
— Resolução CNSP nº 493, de 17 de julho de 2026, em vigor a partir de 17 de janeiro de 2027.
Duas leituras para quem mede funil. A primeira: registro suspenso zera a comissão do período, e o art. 18, I, inclui cadastro desatualizado entre as causas de suspensão. A segunda: cancelamento gera estorno proporcional, o que significa que a apólice emitida ainda não é receita definitiva.
Quem mede só até a emissão trabalha com um número que ainda pode diminuir.
Onde a leitura fica interessante
Com as taxas na mão, algumas conclusões aparecem sozinhas.
A etapa mais fraca não é onde você acha que é. No exemplo acima, a menor taxa é a de aceite (30%), mas a maior perda absoluta está entre contatos e conversas — 250 pessoas. Percentual baixo e perda grande são coisas diferentes.
Melhorar uma taxa no meio do funil vale mais que aumentar o volume no topo. No exemplo acima, subir a taxa de aceite de 30% para 40% no exemplo levaria as apólices de 15 para 20, sem nenhum contato a mais. Para o mesmo efeito só com volume, seriam necessários 165 contatos adicionais.
Origem muda tudo. Separe as taxas por origem de contato. É comum que indicação e contato frio tenham conversões tão distintas que misturá-las produz uma média que não descreve nenhum dos dois — e que leva a decisões erradas sobre onde investir tempo.
As três alavancas, em ordem de retorno
1. Taxa de aceite. É a que mais multiplica, porque está perto do fim e todo o funil acima já foi pago. Sobe com descoberta melhor, dimensionamento defensável e tratamento de objeção.
2. Taxa de emissão. É a mais barata de corrigir, porque a venda já aconteceu. Costuma depender de acompanhamento da esteira, não de habilidade comercial. É a alavanca mais subestimada da lista.
3. Taxa de agendamento. É a que abre volume, e a mais sensível à origem do contato.
O volume de contatos é a última alavanca, não a primeira. Aumentar o topo de um funil com vazamento no meio produz mais trabalho e pouca apólice.
Da meta ao contato de hoje
A matemática do funil serve para duas contas, e a segunda é a que muda o seu dia.
Para frente: quantos contatos produzem quantas apólices.
Para trás: quantos contatos a sua meta exige.
Se a meta do ano é 60 apólices emitidas e a conversão total é 3%, são 2.000 contatos no ano. Divididos por 250 dias úteis, dão 8 contatos por dia.
Oito contatos por dia é executável e verificável antes de fechar o notebook. Sessenta apólices não é nenhum dos dois.
Esse desdobramento é o que transforma meta anual em atividade diária, e ele só funciona com taxas reais. Taxa emprestada de mercado produz uma meta diária que não corresponde à sua operação.
Onde a esteira tem consequência normativa
A sexta etapa tem peso além do comercial. A Resolução CNSP nº 493, de 17 de julho de 2026, vigente a partir de 17 de janeiro de 2027, estabelece no art. 21 que, em caso de devolução de prêmio ou cancelamento de apólice, a comissão recebida é restituída à seguradora proporcionalmente ao valor devolvido ou não recebido.
Proposta que emite e cancela em seguida não é conversão. É trabalho feito, comissão recebida e comissão devolvida.
Os erros que estragam a medição
Estimar em vez de contar. Memória superestima conversão de forma consistente. Quem estima costuma achar que converte o dobro do que converte.
Registrar no fim da semana. Reconstrução de memória não é medição.
Misturar origens. Indicação e contato frio no mesmo cálculo produzem uma média que não descreve nenhum dos dois.
Medir com amostra pequena. Abaixo de cerca de cem contatos, a variação é grande demais para orientar decisão. Noventa dias existem para acumular volume, não por serem um prazo especial.
Parar de medir depois de descobrir. As taxas mudam com experiência, produto e origem. Uma medição feita uma vez vira folclore em seis meses.
Não contar as tentativas sem resposta. Contato é tentativa, não sucesso. Excluir quem não atendeu infla artificialmente a taxa de conversa e destrói a utilidade do número.
Onde esse controle vive
Enquanto o volume é baixo, papel resolve. Passando de algumas dezenas de oportunidades simultâneas, o controle manual quebra pelo mesmo motivo de sempre: ele depende de alguém lembrar de atualizar.
O que precisa existir, em qualquer ferramenta: cada oportunidade com etapa atual, data de entrada, data da última mudança e origem. Sem os dois campos de data, você tem quantidade e não tem tempo de ciclo. Sem origem, você não consegue separar as taxas por canal — que é a leitura mais rentável do método.
No Insurance Pro, o funil de vendas guarda cada oportunidade por etapa, com origem, temperatura, valor do plano, próxima ação e data de entrada. A abordagem telefônica é organizada por semana, e a esteira de propostas acompanha as pendências até a emissão, com o tempo de ciclo das propostas emitidas.
O que o sistema calcula sozinho: a conversão da abordagem telefônica em reunião agendada, e o tempo médio de ciclo das propostas emitidas.
O que ele não calcula: as demais taxas entre as etapas do funil. Os dados estão registrados, e a conta das cinco divisões continua sendo sua.
Preferimos dizer isso. Um sistema que armazena o funil não é a mesma coisa que um sistema que calcula o funil, e a diferença aparece justamente quando você precisa do número.
Comece esta semana
Escolha os cinco campos. Nome, origem, data de entrada, etapa, data da última mudança.
Registre toda pessoa que entrar, inclusive quem não atendeu.
Não olhe as taxas antes de trinta dias. Amostra pequena engana e desanima.
Aos noventa dias, faça as cinco divisões.
Você vai terminar com um número — quantos contatos por apólice — que responde à pergunta do título com o seu próprio dado. É a informação que separa quem trabalha por esforço de quem trabalha por previsão.
Perguntas frequentes
Quantos contatos são necessários para vender uma apólice de vida?
Depende das suas taxas, e elas se descobrem em noventa dias de registro. O cálculo é o produto das cinco taxas de conversão; o inverso do resultado indica quantos contatos valem uma apólice emitida.
Quais são as etapas do funil de seguro de vida?
Seis: contato, conversa, reunião de descoberta, apresentação de solução, aceite e apólice emitida. A sexta é a que quase ninguém mede.
Qual a diferença entre aceite e apólice emitida?
Entre o "sim" do cliente e a apólice existe uma esteira de documentação, pagamento e análise de risco. Quem mede o funil até o aceite superestima a própria produção.
Fontes
- Todos os percentuais e quantidades do exemplo são ilustrativos e servem para demonstrar o mecanismo. Taxas de conversão são individuais e devem ser medidas na própria operação
- Etapas de funil, esteira de propostas, campos de oportunidade e cálculo de conversão da abordagem telefônica conferidos no código do Insurance Pro
- Resolução CNSP nº 493, de 17 de julho de 2026 — texto integral no DOU de 21/07/2026
- Susep — Sistema de Estatísticas (SES) — dados do setor supervisionado